Pular para o conteúdo principal

Medo Global

Esse texto, Medo Global, de Eduardo Galeano, foi lido na última terça-feira - 07/02 - ao final da visita à Faculdade de Direito do Recife, por um dos membros do Movimento Zoada.

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.
Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.
Quem não tem medo da fome, tem medo da comida
Os motoristas têm medo de caminhar e os pedestres têm medo de serem atropelados.
A democracia tem medo de recordar e a linguagem tem medo de dizer.
Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.
É o tempo do medo.
Medo da mulher à violência do homem e medo do homem à mulher sem medo.
Medo dos ladrões, medo da policia.
Medo da porta sem fechadura, ao tempo sem relógios, ao menino sem televisão, medo da noite sem comprimidos para dormir e medo do dia sem comprimidos para despertar.
Medo da multidão, medo da solidão, medo do que foi e do que pode ser, medo de morrer, medo de viver.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Meu Guri

Lembrei de uma música de Chico Buarque que marcou minha infância. Numa prova de Português, uma das questões de interpretação era a música Meu Guri. Inicialmente, li, fiz a questão e nada de especial aconteceu. Entretanto, tempos depois me aparece no rádio essa música.  Estranhei. Sabia que já havia escutado antes, ou melhor, lido. Exatamente. Estava na minha prova de Português do Ensino Fundamental.  Agora, trago uma análise minuciosa da música, até porque cresci e, consequentemente, minha análise de mundo mudou. Vejamos a letra da música. Meu Guri   Quando, seu moço, nasceu meu rebento  Não era o momento dele rebentar  Já foi nascendo com cara de fome  E eu não tinha nem nome pra lhe dar  Como fui levando, não sei lhe explicar  Fui assim levando ele a me levar  E na sua meninice ele um dia me disse   Que chegava lá  Olha aí  Olha aí  Olha aí, ai o meu guri, olha aí  Olha aí, é o meu guri  E ele chega  ...

Remanescentes do passado - Quilombo Kalunga

Fonte:http://bibliotecadepiracicaba.files.wordpress.com/2009/11/quilombolas_kalunga_cavalcante_goias_m.jpg Por volta do século XVIII, Bartolomeu Bueno e João Leite Silva, impulsionados pela busca do ouro, iniciaram a colonização da região de Goiás. Com a chegada dos colonizadores, as populações nativas - indígenas, conhecidos na época, como Goyases -  foram subjugadas. Muitos foram escravizados, contudo grande parcela fugiu ou foi dizimada. Com a sede de ouro dos portugueses, centenas de africanos foram transportados de diversas áreas da África. Aportados em Santos, Salvador e Rio de Janeiro, os negros foram levados para as "minas dos Goyases". Suas origens, como a dança, a culinária, a religião e a identidade foram proibidas. Iniciava-se mais um período de sofrimento. Longas horas trabalhando sob o Sol escaldante, além dos escravos e nativos serem submetidos às torturas, como o tronco e o chicote. Devido aos intensos maus-tratos, inúmeros escravos resistiam, utilizando-s...

Introdução à ciência do direito

Para justificar a criação da matéria Introdução ao estudo do direito no início do século XIX   o filósofo, político, reformador educacional e historiador francês (1) Victor Cousin afirmou com belas palavras o seguinte: "Quando os jovens estudantes se apresentam em nossas escolas, a jurisprudência é para eles um país novo do qual ignoram completamente o mapa e a língua. Dedicam-se de início ao estudo do direito civil e ao do direito romano, sem bem conhecer o lugar dessa parte do direito no conjunto da ciência jurídica, e chega o momento em que, ou se desgostam da aridez desse estudo especial, ou contraem o hábito dos detalhes e a antipatia pelas vistas gerais. Um tal método de ensino é bem pouco favorável a estudos amplos e profundos. Desde muito tempo os bons espíritos reclamam um curso preliminar que tenha por objeto orientar de algum modo os jovens estudantes no labirinto da jurisprudência; que dê uma vista geral de todas as partes da ciência jurídica, assinale o objeto...