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Educação: um fenômeno ambíguo

          Desde a Antiguidade Clássica, a educação era discutida pelos filósofos gregos. Sócrates, por exemplo, defendia o autoconhecimento para alcançar a sabedoria. No transcurso dos séculos, a educação assumiu múltiplas características: teológica, na Idade Média, e Positivista, na Idade Contemporânea. Nas últimas décadas, passou-se a analisar se a educação está formando jovens autônomos ou pessoas alienadas por um conhecimento tecnicista.
            O pensamento socrático sustentava a ideia do “conhece-te a ti mesmo”, ou seja, o conhecimento verdadeiro seria construído a partir da reflexão da própria pessoa e o filósofo a ajudaria apenas como mediador. Anos depois, com a feudalização da Europa, os detentores do poder utilizaram a educação para impor conceitos prontos, dogmas. Dessa maneira, os europeus se tornaram seres passivos, pois qualquer forma de autonomia seria combatida pela igreja. A flexibilidade vista na Antiguidade havia desaparecido.
            Atualmente, tenta-se tornar a escola um ambiente flexível onde as crianças possam, a partir dos ensinamentos dos educadores, construir suas concepções de mundo. Os professores ministram aulas como um monopólio informativo, sem interagirem com o aluno. Paulo Freire, ao contrário desses professores, não enxergava os alunos como seres dóceis e passivos, mas como seres capazes de arquitetar, gradualmente, a leitura de mundo, como diria o pedagogo brasileiro.
            A prioridade é transformar a educação numa estrutura socializadora que preze pela construção das ideias a partir do próprio aluno. O educador seria Sócrates, mediador do processo de autoconhecimento, e um “democrata, permitindo a participação efetiva do aluno.

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